terça-feira, 14 de maio de 2013

Acne na fase adulta é comum em pessoas com alterações hormonais ou com pele oleosa


Foto: Ocean / Corbis
O surgimento de acnes é comum durante o período da puberdade, vai diminuindo e tende a desaparecer por volta dos 26 anos. Mas o que fazer quando o problema persiste na vida adulta? A queixa é mais comum entre mulheres e acomete principalmente pessoas com a pele oleosa. O tratamento correto para esta fase da vida é bem diferente daquele realizado na adolescência. O ideal é investigar a causa do problema e como ele pode ser controlado.
Segundo o dermatologista do Hospital Federal de Bonsucesso, vinculado ao Ministério da Saúde, Paulo Cotrim, a acne na fase adulta normalmente está associada a algum distúrbio hormonal. “A acne atinge seu ápice no período da puberdade. Depois disso, os hormônios estabilizam de forma harmônica. Em mulheres, quando há alteração ovariana, como cistos nos ovários, o problema dura além da época”, explica.
É comum as pessoas se queixarem que as acnes aparecem em momentos de estresse ou ansiedade, o que pode realmente influenciar. “Ao constatar que os hormônios estão em níveis corretos, as pessoas acham que essa acne está ligada a fatores emocionais. Na verdade, isso acontece em pessoas que já tem a oleosidade da pele mais alta e, ao passar por momentos de tensão, ela produz uma quantidade excessiva de secreção. Acaba havendo um entupimento do folículo e as lesões acneicas perduram”, esclarece Paulo Cotrim.
O dermatologista explica que em situações de estresse, o organismo exige um trabalho maior da glândula suprarrenal. Essa glândula produz o cortisol, liberado quando se está com uma carga excessiva de tensão. Como é um estimulante, faz com que a acne na pele oleosa se torne mais evidente.
Culpar a alimentação ou comidas como o chocolate não é correto, segundo o especialista. O melhor é ter prudência nas escolhas. “Não se tem nada estabelecido. Não é proibido comer nada, desde que haja equilíbrio em tudo que se coma. Se a pessoa ao ingerir determinado produto notar que a acne piorou, seria prudente evitar consumi-lo, ou comer em doses menores”, salienta.
O tratamento, portanto, depende da ligação da acne ou não com fatores hormonais. “No caso de acne por alterações hormonais, a medicação de eleição é a isotretinoina, prescrita após uma série de exames como hemograma completo, hepatograma, colesterol e o teste de gravidez, no caso de mulheres. Muitos pacientes questionam se existe a possibilidade da acne voltar quando cessarem o uso do medicamento, mas esse é um fator que não dá para prever”, avisa o dermatologista.
No caso de pacientes com a pele oleosa, o dermatologista pode ainda prescrever o uso de produtos tópicos, como sabonetes utilizados para a secagem da oleosidade do rosto. Eles servem ainda como auxiliares no tratamento medicamentoso. “É importante também cuidar da higiene da pele. A mulher pode usar maquiagem para disfarçar o problema, desde que ela não seja oleosa. E o homem com acne, se deixar a barba crescer, não corre o risco de piorar o problema, mas vai dificultar o tratamento”, aconselha Paulo Cotrim.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

2ª Semana de Segurança no Trânsito conscientiza pedestres dos seus direitos e deveres


Foto: Dana Hoff / Beateworks / Corbis
“Eu queria ir numa praça, mas pra chegar até lá eu tinha que atravessar a pista. Eu era criança e como tava doida pra brincar saí correndo na rua, só que vinha um carro com muita velocidade e me jogou do outro lado da pista. Eu bati a cabeça no chão. Só não morri porque não era minha hora. Eu fiquei com as duas pernas engessadas por um tempo e ainda tenho uma diferença de uma perna para outra que fica visível quando eu uso uma calça”, lembra a jornalista, Greice Alves, que foi atropelada durante a infância e convive com as sequelas do acidente ate hoje.
É para acabar com acidentes como o de Greice que aOrganização das Nações Unidas (ONU) instituiu a Semana de Segurança no Trânsito – de 6 a 13 de maio, que este ano está em sua segunda edição. Celebrada em mais de 70 países, a semana quer chamar a atenção da sociedade para as necessidades diárias dos pedestres e também conseguir promover medidas para protegê-los. O ato ainda pretende contribuir para alcançar a meta da Década de Ação para Segurança no Trânsito que é salvar cinco milhões de vidas, até 2020.
No mundo, mais de 270 mil pedestres perdem a vida nas pistas e estradas, todo ano. O que representa 22% do total de mortes no trânsito, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil os dados também são alarmantes, de acordo com um levantamento realizado em 2010 pelo Sistema de Informação de Mortalidade, do Ministério da Saúde, foram registradas cerca de 10 mil mortes por atropelamento.
A diretora do Departamento de Análise de Situação em Saúde do MS, Deborah Malta, fala do significado da ação: “Celebrar esta semana significa estabelecer um processo de comunicação com a sociedade. Alertando para a necessidade de práticas educativas, a necessidade do respeito à faixa de pedestre e atenção ao cruzar as vias. Os condutores também devem estar cientes do risco da velocidade. Essas mortes são evitáveis e precisamos alertar toda a população sobre essas práticas seguras para que possamos reverter essas altas taxas”.
O Brasil é o quinto entre os países recordistas em acidentes de trânsito, segundo a OMS. Por isso, a ideia é de que a ação não dure somente uma semana, e sim, que as pessoas utilizem o que aprenderam durante a campanha para usarem no cotidiano, respeitando a vida no trânsito. “Os pedestres sempre devem ter atitudes seguras ao atravessar as vias, obedecendo à sinalização, atravessando quando o sinal estiver liberado, e sinalizar antes de atravessar nas faixas”, lembra.
Álcool e direção – A combinação de álcool e direção é um dos fatores que têm influência direta no número de acidentes e mortes no trânsito. A diretora comenta que cerca de 20% dos acidentes de transporte no Brasil deve-se à associação de álcool e direção: “Quando os motoristas ingerem álcool eles ficam mais vulneráveis e todos os reflexos são alterados. E isso pode resultar em acidentes graves. E o  próprio pedestre também quando alcoolizado ao atravessar as vias está menos atento, menos alerta e pode se envolver em acidentes”.
Crianças e idosos – De acordo com o MS, as principais vítimas por atropelamento em faixas de pedestre no país são crianças de 7 a 14 anos e pessoas com mais de 65 anos. “Temos que ter todo um cuidado com as crianças quando forem atravessar as ruas. Os pais ou os responsáveis devem ter sempre as crianças seguras. Quanto aos idosos, temos que ajudá-los a atravessar as ruas e alertá-los para que eles possam ter noção de risco e de perigo”, reforça a diretora.
Vida no Trânsito – O Ministério da Saúde tem desenvolvido uma série de ações para prevenir acidentes e mortes e, por isso, criou há dois anos o Projeto Vida no Trânsito. Desenvolvido em parceira com a OMS, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e a Bloomberg Philanthropies. Trata-se de um planejamento de ações que está nas cinco regiões do país. Em cada município é realizado um trabalho junto à população, para conseguir intervenções articuladas e ações que reduzam o impacto dos acidentes.
Em setembro de 2012, o Governo Federal repassou mais de R$ 12 milhões para todos os estados, e o Distrito Federal, fortalecerem a vigilância e a prevenção nas ruas e estradas do Brasil.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ter um acompanhante durante o parto é direito garantido da gestante


Foto: Agência Fiocruz de Notícias
A dona de casa, Ana Raquel Almeida, mora em Fortaleza e teve bebê há poucos dias. Ela diz que a presença da mãe durante o parto a deixou mais tranquila: “Bom porque qualquer coisa tem um acompanhante, alguém da família olhando, a gente não pode fazer nada, alguém da família está por perto para ver.”
Ter um acompanhante durante o parto é direito garantido da gestante. E o programa Rede Cegonhado Ministério da Saúde apoia a lei e acredita na importância do apoio da família no momento de ter um bebê.
O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, lembra que o acompanhante pode ser qualquer pessoa de confiança da gestante. “É um direito por lei federal a gestante ter um acompanhante durante o processo de parto, de sua livre escolha, pode ser a mãe, pode ser uma vizinha, pode ser o companheiro, marido, pode ser outro filho, é fundamental, é um direito que garante cada vez mais que o parto será bem feito e exigir todas as coisas de um bom parto, ser examinada, ser bem cuidada, ser bem tratada, ter analgesia, não sentir dor”, explica.
Quase cinco mil municípios de todo o Brasil já aderiram ao programa Rede Cegonha. Até 2014, o Ministério da Saúde vai investir cerca de nove bilhões e meio de reais na estratégia. Para saber mais acesse o Portal da Saúde.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Boa alimentação e exposição adequada ao sol garantem níveis ideais de vitamina ‘D’ no corpo


Foto: Claudia Rehm/Westend61/Corbis
Uma alimentação saudável, com leite e derivados, além de uma exposição adequada ao Sol garante os níveis ideais de vitamina ‘D’ ao organismo. Essa vitamina tem a função de aumentar a absorção do cálcio, diminuindo o risco de doenças, como raquitismo, osteomalacia e osteoporose, por exemplo.
Além disso, ela diminui o risco de doenças cardíacas, combate a enxaqueca e tensões pré-menstruais. “A vitamina ‘D’ atua como um hormônio, regulando nos níveis de cálcio e fósforo no sangue, ossos e dentes. É importante lembrar que a vitamina D se concentra principalmente na pele e passa por uma ativação através da exposição aos raios UVB ou pelos raios solares, para depois ser hidroxilada no fígado e rins. Por isso, tão importante quanto ingerir alimentos ricos em Vitamina ‘D’ é manter uma exposição solar regular”, explica o nutricionista do Hospital Federal da Lagoa, vinculado ao Ministério da Saúde, Felipe Rizzetto.
Segundo o especialista, os indivíduos com maior propensão a desenvolver as doenças relacionadas à falta de vitamina ‘D’ no organismo são os bebês prematuros, as crianças e os idosos. “A falta de Vitamina ‘D’ é mais perceptível em crianças, pois a carência da vitamina pode causar moleira aberta após o 1º ano do bebê. Em crianças acima de dois anos, pode gerar maior irritabilidade, inquietação, anorexia e suor excessivo, raquitismo e pernas tortas. Isso porque, a Vitamina ‘D’ atua diretamente na regulação do cálcio e nos depósitos de tecido ósseo pelo organismo. Na fase adulta, principalmente nos idosos, a queda dessa vitamina pode causar osteoporose e osteomalacia, porque o corpo não consegue absorver o cálcio da maneira adequada e os ossos se tornam mais frágeis”, alerta.
A dose diária recomendada de vitamina ‘D’ varia de acordo com a idade e local onde o indivíduo vive, em função da carência de luz solar durante o ano. Em média, um adulto precisa consumir cinco microgramas por dia e garantir uma exposição solar regular, sem o uso de protetor solar. “Um adulto saudável precisa se expor ao Sol, em média, entre 15 e 30 minutos, de 3 a 4 vezes por semana. Os idosos, em geral, devem se expor 10 minutos por dia. Uma dieta balanceada e rica em vitamina ‘D’ é essencial. Ela é facilmente encontrada nos alimentos como sardinha, atum, cogumelos, fígado, salmão, gema do ovo, leites e derivados. Esses alimentos ajudam a controlar os níveis e evitar a carência desta vitamina no organismo”, orienta.
Pessoas com intolerância à lactose devem ter cuidados específicos, caso a rotina da pessoa não inclua outros alimentos ricos em vitamina D ou mesmo em cálcio. “O uso do suplemento de vitamina ‘D’ pura é somente indicado para os casos em que o indivíduo não tem uma boa alimentação ou vive em locais muito frios, onde não é possível expor-se ao Sol regularmente. Lembrando que é sempre importante mudar alguns hábitos para evitar o uso de suplementos ou complementos alimentares. A solução mais prática na maioria das vezes não é a mais saudável. Por isso, sempre que possível opte por outros alimentos ricos em vitamina ‘D’”, ressalta o nutricionista.
O excesso de protetor solar também influencia na carência da vitamina ‘D’. O protetor diminui a exposição aos raios UVB, responsáveis pela síntese da vitamina na pele. “Em regiões tropicais, basta uma caminhada durante o dia para se receber a radiação suficiente para a síntese da vitamina. O uso do protetor solar é sempre muito importante e não justifica não utilizá-lo por conta da carência da vitamina ‘D’”, explica.
A orientação é que a exposição seja feita em pequenas doses. “Recomendo, em dias de praia, ou de passeios ao ar livre, esperar alguns minutos antes de passar o protetor solar para que se tenha uma pequena exposição, de preferências antes das 10 horas, caso esteja no verão. No outono, por exemplo, pode ser em qualquer horário pela manhã. Nos dias úteis, podemos aproveitar o caminho para o trabalho. Para os que usam carro e ficam trancados nos escritórios, aproveitar o horário de almoço para se expor ao solzinho que estiver aparecendo”, finaliza.
Sintomas da baixa concentração de vitamina ‘D’ no organismo, segundo o nutricionista:
  • Diminuição do cálcio e do fósforo no sangue;
  • Fraqueza muscular;
  • Moleira aberta após o 1º ano do bebê;
  • Irritabilidade, inquietação, anorexia e suor excessivo podem surgir nas crianças;
  • Osteoporose nos idosos;
  • Raquitismo;
  • Osteomalácea;
  • Pernas tortas.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ações do Viver Sem Limite melhoram vida de pessoas com deficiência


A partir desta terça-feira (7), as pessoas com deficiência passaram a ter acesso a novos serviços e equipamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou hoje, na Unidade Mista de Saúde de Taguatinga (DF), que serão investidos R$ 205,2 milhões em ações que irão beneficiar 944 mil pessoas por ano. Serão inaugurados 29 Centros Especializados de Reabilitação (CER) com transporte gratuito em 19 municípios de 18 estados, além de 18 oficinas de órteses e próteses, a incorporação de seis novos modelos de cadeiras de rodas e acessórios para aparelhos auditivos.

Essas são as primeiras medidas do programa Viver Sem Limite, Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lançado em 2012. Os novos serviços e equipamentos estão voltados à inclusão social dos brasileiros com deficiência, garantindo autonomia e independência a esse público e possibilitando melhor qualidade de vida.
Maria Albino da Costa já recebeu uma cadeira de rodas. Ela perdeu o movimento das pernas após um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A filha dela, Carla Maria da Costa, conta que a mãe sofreu o acidente há três anos e parou de andar aos poucos. “Ela usou um andador durante dois anos, mas depois disso perdeu totalmente o movimento. Como não tínhamos dinheiro, pegamos uma cadeira de rodas velinha emprestada, com uma vizinha. A cadeira nem rodava direito, quase não saía do lugar. Agora com a cadeira nova eu tô conseguindo colocar minha mãe pra pegar sol todo dia. Tô ensinando ela a andar com a própria cadeira, empurrando pelas rodas, e devagar ela tá conseguindo. A melhor coisa é a pessoa poder andar. Mas, já que não pode andar, pode ter uma coisa boa, de qualidade. Essa cadeira que ela ganhou é ótima, muito boa mesmo”, diz Carla.
Cadeiras de rodas – Com as novas incorporações, o SUS passa a ofertar, dentro de seis meses, a cadeira motorizada, equipada com motor elétrico, que pode ser movida por controle remoto, pelo queixo ou boca. Também ofertará a cadeira monobloco, leve e portátil, que possui mecânica favorável à propulsão e manobras em terrenos acidentados. Serão incorporadas ainda cadeira de rodas para pessoas acima de 90 quilos, para banho em concha infantil, com encosto reclinável, com aro de propulsão –, adaptação postural em cadeira de rodas.
O Ministério da Saúde também vai liberar recursos para qualificar o atendimento a pessoas com deficiência em 47 Centros de Especialidade Odontológica (CEO) do país, aumentando em 50% o valor para que os profissionais sejam capacitados para usar técnicas especializadas para tratamento desse público.
Aparelho auditivo – Outra nova incorporação pelo programa Viver Sem Limite será um dispositivo auditivo para crianças de 5 a 17 anos com deficiência auditiva (de grau leve, moderado, severo ou profundo) matriculadas no ensino fundamental e ensino médio. O dispositivo será acoplado ao aparelho auditivo, eliminando o excesso de ruídos que interfere na interpretação do aluno. Um microfone também será posicionado próximo a boca do professor capta a fala com boa intensidade, reduzindo os efeitos de reverberação e ruídos. O som captado é enviado via FM diretamente para o receptor, qualificando o aprendizado do estudante.
Vinicius Carneiro nasceu com deficiência auditiva severa e será um dos beneficiados pelo Programa Viver Sem Limite. Apesar de ter feito o implante coclear há dois anos, os ruídos emitidos pelos colegas em sala de aula o atrapalham a ouvir a professora. Hoje, Vinícius tem quatro anos e está no Maternal. A partir de 2014, quando ele tiver cinco anos, vai poder usar o aparelho. A mãe dele, Ana Carneiro, conta que esse dispositivo foi indicado pela médica de Vinícius e que será muito boa a disponibilização dele pelo SUS. “O uso do sistema FM faz com que o som chegue bem melhor para ele. Ele faz fonoaudióloga desde que descobriu a perda auditiva, com um ano de idade, e há poucos dias a fonoaudióloga indicou que o Vinicius utilizasse o sistema FM. Mas isso custaria em torno de R$ 5 mil e se o governo disponibilizar, para nós será muito melhor, sem dúvida!”, afirma Ana.
Teste do Pezinho –  Sete estados brasileiros passarão a ofertar, pelo SUS, mais exames do teste do pezinho, que diagnostica doenças no recém-nascido. A ampliação do acesso a exames do Programa Nacional de Triagem Neonatal, que realiza o Teste do Pezinho, abrangerá os estados do Acre, Alagoas, Sergipe, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Com isso, cerca de 545 mil crianças devem ser beneficiadas por ano.
Viver Sem Limite – O objetivo do Plano Viver Sem Limite é atender os cerca de 45 milhões de brasileiros, 23,9% da população, que possuem algum tipo de deficiência. Por meio de ações estratégicas em educação, saúde, inclusão social e acessibilidade, o programa pretende promover a cidadania e o fortalecimento da participação da pessoa com deficiência na sociedade, promovendo sua autonomia, permitindo o acesso e o usufruto, em bases iguais, aos bens e serviços disponíveis a toda a população. Serão investidos no plano um total de R$ 7,6 bilhões até 2014, sendo R$ 1,4 bilhão do montante destinado ao eixo da saúde.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Doação de medula óssea segue crescendo no país, mas ainda gera dúvidas entre doadores


Foto: Divulgação
A doação de medula óssea é uma atitude que salva vidas, mas ainda é cercada de preconceitos. Segundo os dados do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o número de transplantes de medula óssea entre pessoas sem parentesco subiu de 29, em 2003, para 248, em 2012 – números que podem crescer com a quebra de velhos mitos sobre a doação.
O diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca e coordenador do Redome e da Rede BrasilCord, Luis Fernando Bouzas, afirma que é muito comum as pessoas confundirem medula óssea com medula espinhal. “A medula óssea é um tecido de consistência líquido-gelatinosa que se encontra dentro das cavidades ósseas e que contém células progenitoras, que dão origem ao sistema hematopoético (sangue) e imune. A medula espinhal é parte do sistema nervoso e fica dentro da coluna vertebral. Justamente por esta dúvida, muitas pessoas ficam preocupadas em doar medula, pois ouvem falar em pessoas que ficam paraplégicas por acidentes com a coluna vertebral, mas uma coisa não se relaciona com a outra”, afirma.
Existe também a ideia de que o doador pode ter problemas futuros, que o transplante é dolorido e exige um longo afastamento do trabalho. “A doação é segura e não provoca problemas hematológicos ou no sistema imune em longo prazo, pois a porcentagem retirada, cerca de 15% do material existente, é recomposta em apenas 15 dias. A dor é tolerável, o procedimento tradicional em centro cirúrgico utiliza anestesia e o doador necessita de analgésicos simples por, no máximo, três a quatro dias após a coleta da medula. O afastamento do trabalho é variável e dura em média de cinco a sete dias”, explica Bouzas.
O cadastro de doador voluntário de medula óssea pode ser realizado nos Hemocentros, em todos os estados. Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos de idade e que esteja em bom estado geral de saúde, ou seja, não ter doença infecciosa ou incapacitante, pode se cadastrar como doador de medula óssea. Para se cadastrar, é preciso retirar uma pequena quantidade de sangue (5 ml) e preencher uma ficha com informações pessoais. O sangue será tipificado por exame laboratorial de histocompatibilidade (HLA), onde são identificadas as características genéticas que podem influenciar no transplante.
O tipo HLA do doador será incluído no cadastro e os dados são cruzados com os de pacientes que precisam de transplante de medula óssea. Quando o doador é compatível com algum paciente, faz outros exames de sangue para a confirmação. Se a compatibilidade for positiva, ele é consultado para confirmar que deseja realizar a doação e terá seu estado de saúde avaliado. Uma vez inscrito no cadastro, o doador pode ser chamado para a doação até os 60 anos.
Por isso, é importante manter o cadastro sempre atualizado. Dessa forma, a localização do doador, em caso de compatibilidade com algum paciente, será facilitada. Para atualizar as informações do cadastro é preciso entrar em contato com o Hemocentro onde o cadastro foi feito ou preencher o formulário no portal do Inca.
Como é a doação – Segundo Bouzas, existem duas maneiras de doar e a decisão na maioria das vezes é do médico, de acordo com a doença do paciente e outros detalhes. “A forma tradicional é com anestesia geral, em centro cirúrgico, através de punções com agulhas especiais das cristas ilíacas posteriores (ossos da bacia). O procedimento dura de duas a três horas e o doador fica no hospital por 24 horas”, explica.
A segunda forma é através do uso de um medicamento denominado fator de crescimento de granulócitos, administrado ao doador, que estimula as células da medula de forma que elas circulem por dois ou três dias no sangue periférico e possam ser coletadas por máquinas de aférese no Banco de Sangue. É um processo ambulatorial e sem internação em geral. “O procedimento de doação é cercado de todo o cuidado com o doador e tem boa tolerância e segurança. O risco de complicações graves é praticamente nulo e, em geral, está associado à necessidade de anestesia geral”, reforça o diretor.