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No mês em que é lembrado o Dia Mundial da Incontinência Urinária (14 de março), problema caracterizado pela perda involuntária de urina, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e o Instituto Lado a Lado pela Vida fazem campanha para alertar para as formas de prevenção e conscientizar a população de que há tratamentos extremamente eficazes e minimamente invasivos para o retorno do controle miccional. A incontinência urinária abala a qualidade de vida ao afastar o doente do convívio social.
O problema atinge principalmente mulheres após a menopausa e gestantes. Um estudo brasileiro demonstrou que 35% das mulheres após a menopausa sofrem de incontinência urinária ao fazer algum esforço. “Outro dado importante é que até 40% das mulheres gestantes vão apresentar um ou mais episódios de incontinência urinária durante a gestação ou logo após o parto. Vários fatores podem desencadear este problema, como por exemplo, alterações hormonais durante a gestação, enfraquecimento das estruturas ligamentares da pelve e aumento da pressão no abdome, gerada pelo crescimento e posição do feto”, explica o urologista e coordenador do Departamento de Uro-neurologia da SBU, Márcio Averbeck.
Entre os homens, cerca de 5% dos submetidos à cirurgia radical para remoção da próstata também podem apresentar o problema. Outro grupo de pacientes que tem incidência aumentada de incontinência urinária é o de lesados medulares, devido ao aumento dos acidentes de trânsito com vítimas não fatais.
Tipos de incontinência:
- a de esforço: quando há perda de urina ao tossir, rir, fazer exercício, etc.
- a de urgência: ocorre quando há súbita vontade de urinar e a pessoa não consegue chegar a tempo ao banheiro.
- a mista: associação os dois tipos anteriores.
“Mais da metade dos casos de incontinência urinária é de esforço”, afirma Averbeck. Neste caso, o tratamento consiste em exercícios para o assoalho pélvico, medicamentos ou cirurgia. Entre as novidades em tratamentos está a cirurgia para implante de slings e minislings, uma fita de material sintético colocada abaixo da uretra para sua sustentação. Ambas cirurgias são ambulatoriais e há melhora em até 90% dos casos.
Prevenção - A prevenção à doença se dá com administração de exercícios para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico. O exercício consiste na contração do assoalho pélvico por 10 segundos e o relaxamento por 10 segundos. O movimento deve ser repetido 10 vezes por, pelo menos, três vezes ao dia. Estes músculos são importantes para o controle da micção.
“A primeira opção de tratamento é o exercício acompanhado por um médico ou fisioterapeuta para conscientização do músculo que precisa ser contraído. Em muitos casos, o exercício já resolve o problema, por isso é necessário consultar o urologista”, diz Averbeck.
Além dos exercícios, ter hábitos saudáveis auxiliam na prevenção, tais como: evitar o sedentarismo e a obesidade; controlar o ganho de peso nas gestações; evitar a prisão de ventre; não fumar para diminuir a tosse e a irritação da bexiga.
A SBU ressalta ainda que é preciso prevenir acidentes que levem à lesão medular:
- Não beber e dirigir para evitar acidentes de trânsito;
- Não mergulhar de cabeça em praias e rios sem conhecê-los;
Bexiga hiperativa - Outra causa para a incontinência urinária é a bexiga hiperativa. Esta pode ser a causa da urgência para urinar e, em alguns casos, pode estar associada à contração involuntária da bexiga em momentos inapropriados, o que causa a perda da urina. Estima-se que 18% da população adulta no Brasil sofra de bexiga hiperativa.
Neste caso, a fisioterapia e o uso de medicamentos via oral também podem ser eficazes. Nos casos nos quais os tratamentos conservadores não funcionam, ainda existe a possibilidade de implantar um aparelho capaz de estimular eletricamente os nervos da pelve, ou então administrar toxina botulínica diretamente no músculo da bexiga. As opções de tratamento são bem diversificadas.